May 8, 2018

Forcados en Évora.

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  • Alguém chamou a tudo o que gosto e me define como “Agro-Betos”, estereótipos, valem o que valem. Ora, as senhoras não dizem palavrões, e eu não digo nem um, mas como anglicismos estão super na moda, e dito em inglês a coisa fica mais suave até a roçar o chique e evoluído, e só por isso, inventei um novo termo para definir “algumas-criaturas-urbanas-que-nos-aborrecem-muito-e-não-percebem-nada-da-ruralidade”, os “Urban-Shit”, e não me parece que seja necessário ir ao tradutor do Google para perceber a idéia. Também ouvi dizer que não se deve tocar em assuntos como política, touros e caça, futebol e religião, para “não levantar ondas”, e é aqui que está o problema, não queremos “ralações”! Adoramos um despreocupado, irritante mas bom “deixa lá isso”. E a gravidade disto vai desde uma consulta que atrasa duas horas, chegando até á ausência de educação cívica, (se quisermos iniciar um temazinho mais profundo então, sai logo um “lá estás tu” ou o “não vale a pena” para cortar a conversa, e se formos meninas, pior ainda). Ainda não perceberam que ser-se exigente não é ter-se o rei na barriga, é querer o melhor. E ralar, é coisa que não fazemos mesmo, com absolutamente nada! E sim, estou completamente decepcionada com tudo, pelos números da abstenção, que é uma consequente crise de valores, de falta de pensamento crítico e de ideia de futuro. Que triste é ver um País que pára por causa da bola ou um bom festival de Verão - festa muita e sempre, gosto disso - mas não alinha pelos valores que quer para o seu País, para si! Bolas, se até no futebol se comenta a resignação geral a que estamos confinados! Relembro o que disse Bruno Lage no Marquês: "Não basta chamar nomes aos árbitros, aos treinadores, aos jogadores quando eles perdem e não correm. Se vocês tiverem a exigência que têm no futebol como nos outros aspectos do nosso Portugal, economia, educação, saúde, vamos ser um País melhor". Resolvi puxar pelo meu optimismo natural e acreditar que as pessoas gostam do bom e do certo quando está à sua frente, ainda assim, não consegui. Resta-me a paz e o orgulho de saber que a minha terra, Barrancos, foi a única que não deu um voto sequer a animalistas de meia tigela. Quiçá, resquícios de tempos em que sofremos na pele ataques á séria e termos sido forçados a tomar decisões e atitudes, muito boas por sinal! Não preciso sequer mencionar quem tanto trabalhou para que isto fosse possível, e sei que sou chata e repetitiva, mas ouvi dizer que os melhores imitam-se sempre! Que nunca percamos essa capacidade (sim, capacidade) e que possa servir de exemplo! Mas que sentido faz, urbanos decidirem sobre coisas que desconhecem? Mas é isto que acontece. O aumento visível do número de pessoas que transferem sentimentos (socialização, afectos) para animais (sim, transferem, não os partilham sequer), os tais que nos apartamentos substituem pessoas por cães e gatos, deu nisto, dar importância a partidecos cuja única finalidade é promover/ lamber botas, estilos de vida completamente urbanos. Nada contra, a não ser quando estas mesmas “entidades” para promoção dos seus ideais (ah... a liberdade de tudo e mais alguma coisa, dava para outra crónica de escárnio), entendem que se deve aniquilar tudo o que não está conforme os seus padrões. E de repente são ambientalistas, encostando-se sorrateiramente ao Governo, quando o que defendem mesmo são as supostas minorias e géneros (tantos que já perdi a conta, ignoro e continuo em dois), ah e os animais deviam viver numa redoma na natureza, esses seres sagrados que só são vistos nos programas do National Geographic , e as plantas coitadinhas, como não fazem barulho nem se mexem já não têm direito a nada, já podem ser comidas por essa grande criatura que é o ser humano vegan! Epá, isto, sai fora de tudo o que é razoável. E estes eram apenas uma moda, eram, e já têm esta força... Mais, tome-se o exemplo na vizinha Espanha, o Secretário de Comunicação do partido Podemos, Juanma del Olmo , sobre a natureza das doações feitas por Amancio Ortega na área da saúde diz: ”¿Qué os parece que sea un millonario quién decida qué enfermedades y qué ciudades deben tener mejores tratamientos y recursos?”... é no mínimo, parvo tudo isto! Quando este em 2017 já tinha doado, 47 milhões à Cataluña, 40 milhões à Andalucía, 30 milhões à Comunidade Valenciana e por aí fora! Confuso? Nem tanto.. Estes são os mesmos que em Abril passado, disseram que querem um referendo para a continuação ou não dos espectáculos taurinos em Espanha (afirmando claro que votariam contra). Já perceberam onde quero chegar certo? Mesmo que não sejam os mesmíssimos partidos, a urbanidade e soberba, estão lá! E que dizer então quando são? Veja-se o resultado dos animalistas do PACMA na nossa vizinhança também.. propostas da treta, deu num resultado da treta, e ainda bem!! Para os que ainda acham que política é uma coisa e mundo rural é outra, pensem duas vezes, ou três! E até Outubro passa a correr, e de esquerda ou de direita, pouco importa, mas acordem! Depois e como se não bastasse, para além de tudo o resto, ainda vêm as tricas internas, porque um disse o que não devia, porque os outros o condenam em hasta pública.. Psiu, rapaziada, há conversas e “chamadas de atenção”, que podem e devem ser feitas num registo particular, caso contrário, é dar motivos de sobra de mão beijada a quem está “desejando” minar isto tudo! Onde fica a dignidade da Festa? Acho que o sentimento nacional está a transferir-se da inveja para o “não-quero-saber”. Em tudo. Não falo só nos que se fazem ao piso e seguem a carneirada, ou os amigos que afinal só queriam qualquer coisinha. Mas funciona. Ainda mais na era do digital que criou uma geração egocêntrica e egoísta do vale tudo. Assim, todos sabem fotografar, escrever, toda a gente faz tudo e não faz nada. Vamos continuar assim? Somos cada vez mais neste mundo taurino, quero acreditar nisto, era mesmo bom que os jovens de hoje, amanhã, o amassem melhor que nós. E neste meu mundo fantástico do futuro, os “Agro-Betos” vencem e continuam a ir aos touros, porque sempre foram os bonzinhos, e os “Urban-Shit” os vilões!
  • Uma barafunda bela de padrões e estéticas e cores e que achávamos inconciliáveis e exorbitantes e que são, no fundo, o jardim das delícias e uma metáfora das nossas vidas. E assim foram os últimos tempos, por cá, carregados de eventos, e coisas novas e menos novas, mas carregados, e é só isto que importa. Ainda que por vezes, quase em simultâneo. A Matança do Porco da Tertúlia da Alagoa a 16 Março, perseverança, a Charla no bar o Picador na Nazaré a 16 Março com Maestro Mário Coelho, tanta afición, Festival Taurino, o décimo da história da Rádio Campanário, comovente homenagem a todos os que nos deixaram, com o fado “Avé Maria”, interpretado por Teresa Tapadas, pena que fosse em meia casa… Depois vemos um grupo de pessoas e voltamos a acreditar no grande mistério da existência - e confirmamos que, afinal, estamos certas quando preferimos os românticos, os lunáticos, os que pensam fora da caixa, os que têm coragem de fazer, os corações curiosos, os artistas de alma, os pensadores incansáveis. E assim aconteceu Santarém. Um grupo de pessoas extraordinárias, que não conheço mas já admiro, juntou-se num momento e mexeu com uma praça e com uma forma de fazer cultura. E de pensar e sentir. Esperemos que os deixem continuar a fazer-nos felizes e mais evoluídos, e que sejam altamente imitados. Não sei como o fizeram, mas conseguiram, obrigada, muito mesmo, valeu! E que a nossa resposta, de quem não entende nada de organizar corridas, continue a ser encher praças! Depois vêm as “Fake News”, sim, o mundo dos toiros também não escapa, e nem vou tocar no miserável acontecimento que envolveu o Maestro Chibanga! Não entendo nada de jornalismo, mas isto é tudo menos honrar a profissão! Então, como quem não quer a coisa, um bando de gente ordinária, condiciona, atraiçoa e inventa uma centena de manifestantes “anti” em Santarém, quando na verdade se resumiam a pouco mais de meia dúzia de miseráveis, suprema vergonha! A TV foi o que se sabe, a imprensa e internet, deu ênfase a nomes de participantes e suas comoventes histórias “Medo, Horror e Sangue”, indignados com o uso de dinheiro dos impostos “em bilhetes de touradas”, e nem me vou alongar mais com os argumentos desta gentalha. Ora num país com tradição de confissão ao “sô prior” e de “não-vale-a-pena-refilar”, “excepto-em-ano-de-eleições”, não podemos continuar com o “encolhe-ombros-e-não-lhes-dou-importância” costumeiro. Valha-nos a coragem da Câmara Municipal de Santarém, de louvar quando a política local faz o que é suposto, defender e apoiar a sua cultura, e disto percebo um bocadinho grande. A passar no horário dito nobre e em dois canais nacionais nada isentos ao mesmo tempo. Modo estupidificação de massas. O que envergonha mais é a oficialização do discurso do preconceito: como se alimenta a mentalidade atrasada, o enxovalhanço gratuito dos outros num país dito respeitador de diferenças, que vergonha! Melhor rir para não chorar. Não sei se já repararam que entretanto o político social do faz de conta, levou outra vez á Assembleia Municipal de Lisboa o assunto, debater o fim das touradas no Campo Pequeno??? Um assunto que tinha ficado “resolvido em Julho”? Até o Presidente da Câmara, que infelizmente faz questão de se demarcar desta causa, o acusa de "tentar fazer entrar pela porta do cavalo" o que não conseguiu "pela porta principal". Salvo um par de excepções, todos a favor, e se isto não vos assusta… E pela porta do cavalo e de fininho também, se nos descuidamos, nas próximas eleições elegem mais um deputado!! Raios! Os bombardeamentos na Síria, a fome na Venezuela, a desgraça por Moçambique ou os esquemas da corrupção podem ser – corridas de toiros é que não. Imaginem se fossem de morte! Obrigada TV e imprensa por continuarem a elevar os padrões. Vamos “masé” todos para o Instagram ou Facebook onde só se mostra o lado onde o sol bate e em modo pensamento nulo. Não dá trabalho, e é grátis. E ainda dá para pôr um filtro daqueles e fica tudo muito lindo. Ai, esperem, voltei a pecar: uma rapariga não é suposto refilar, não é? Bolas, na Idade Média já havia quem não quisesse esta linhagem perversa e pacóvia da maioria, das modas, o lado dissimulado das ditaduras com as suas lavagens cerebrais em massa. Ainda não sabemos onde vai dar tudo ou nada, mas o espírito é esse mesmo, abertos e curiosos, vamos até ao limite do desconhecido e viramos a chave, mas sempre com uma fé inabalável de que as coisas resultarão no melhor, para nós, mas com o nosso empenho e nunca com a nossa conivência!
  • Sempre achei que se dedicavam dias, porque há sempre dias dedicados aos desvalidos deste mundo, das crianças aos seniores, às árvores e às mulheres, aos coxos, aos que compram amizades, aos pais, e á radio. Ou apenas aos conceitos que nos “engolem” e que temos dificuldade em abarcar como a paz, o riso, a poesia, por isso o melhor é dar-lhe um dia à consideração. E a tauromaquia é um bocado isto tudo, e mais ainda! Portanto, se calhar agora comecei a gostar dos “ D ias de…” E assim foi, o Dia da Tauromaquia, sublimemente organizado, digam o que disserem (lembramo-nos sempre dos azedos, é inevitável), com uma multidão de assistência que nos enche o peito de tanto orgulho e felicidade. Um dia corrido de actividades incessantes, a meu ver, vale o que vale, mas se calhar com informação a mais em pouco tempo útil. Mas como não querer aproveitar para mostrar tanta coisa deste nosso mundo a quem quisesse ver, aprender, absorver tudo? Foi em cheio, cheio de amizades e convívio. Carregado de ganas, instinto e candura. Que é isto tudo de sermos humanos. Fazer dos amigos família e aprender a viver! Se é que alguma vez se ensina ou se aprende. Já no Festival, são coisas muitos bonitas que acontecem neste mundo quando vários talentos se juntam: a pinta e poesia dos cavaleiros, um amor de sempre com o toureio a pé, a valentia dos forcados! Tudo em perfeitos aqui, até a força e espontaneidade dos meus “paisanos”, Barranquenhos claro, que fizeram questão de se fazer ver e mostrar o seu apoio com um cartaz! Na semana passada realizou-se o “bombo”, proposto pelo empresário Simón Casas , no qual se sortearam toureiros e ganaderias. Alguém disse "quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem". O velho mistério repete-se, os mais bem-sucedidos infringem as regras no trabalho e na vida. Os rebeldes… vemo-los como fonte de conflitos, como gente que gosta de contrariar. Na realidade, estes mudam o mundo para melhor com a sua perspetiva não-convencional. Em vez de se agarrarem ao que é seguro e conhecido, os rebeldes desafiam o status quo . São mestres da inovação e da reinvenção, e têm muito a ensinar-nos, a quem quiser aprender. E se aprendêssemos alguma coisa com isto? Sempre me ensinaram que os melhores imitam-se sempre! Era tão bom que existissem cada vez menos bolas-baixas e arrumadores de arquivo… Pela primeira vez, nos 72 anos de história de Feria de San Isidro , emparelhar grandes figuras de forma voluntária com grandes ganaderias. Se calhar el bombo deveria ter sido com por exemplo 30 ganaderias e 90 toureiros para ser um sorteio mais transparente e justo para todos. Sobre os anti-taurinos não se entende como defendem os animais e nos querem matar a nós, quanto aos políticos, ahhhhh os políticos, sabemos que os há taurinos, mas tirando nem meia dúzia, não querem dar a cara não vá ser o caso de perderem um “votozinho”, tipo aqueles que não apareceram no Dia da Tauromaquia. Por falar em antis, foi nesse mesmo Dia que me chegou aos ouvidos um assunto muito mas muito sério, que está na calha na Assembleia, a proposta para ser aprovado o uso de velcro??? Só há que derrotá-la! Alguns factos a considerar, o touro não é um animal racional, portanto não sofre como um ser humano, deixem-se de comparações de treta. A inteligência e destreza do toureiro, aliadas ao cansaço decorrente da faena, é que fazem uma lide na íntegra! Com isto a acontecer, até os toureiros não vão querer tourear, pois o animal está “vivo”, nada cansado (a desproporção de forças 500kgs vs 70kgs). Imaginem o perigo que seria, forcados a pegar um animal que está quase em estado puro. Isto é de loucos! E nada saudável! E poderia continuar, mas não me apetece.. e é por este “não me apetece” ser comum a muitos de nós, o “não estou para explicar coisas a quem nunca vai entender”, que chegaram até aqui! Sou só eu que entro em pânico, que fico com mini ataques cardíacos e quase a ter um colapso? Esta gente está muito organizada, e cada vez tem mais força… E nós? Mas que raio!!! Vamos assistir de bancada e encolher os ombros? E é por isto mesmo, por encolhermos sempre os ombros que eles estão onde estão, a tomar decisões por nós! Vamos ser os bobos da festa??? Não se deve sequer admitir esta hipótese, seria um primeiro passo para acabar com as corridas! E é nisto que devemos ser duros, inflexíveis, e mais organizados que nunca! Senão ainda acabamos num estado como se tivéssemos caído em nós, tomado consciência do passo irreversível que tinha acabado de acontecer. E não fica nada bem, e todos sabemos que umas vezes perde-se, ganham-se outras, mas aqui não! Só temos mesmo a perder e tanto tanto… que nunca mais seremos felizes!